O relógio avança em tons de madrugada,
E o sono, Amiga, é uma visita roubada.
Um pigarro, uma febre, um suspiro abafado,
E o coração dispara em alarme, lado a lado.
O jaleco branco, a UPA, a luz do farol,
O medo gelado que não se dissolve com o sol.
Mas ser mãe não é só ninar em calmaria,
É ser a Guardiã na mais escura vigia.
É trocar o lençol, medir a glicemia, Virar enfermeira, doutora e terapia.
É o nó na garganta que a gente engole sorrindo,
Dizendo "está tudo bem", enquanto o medo está subindo.
Somos o porto, a bússola, a força invisível,
A logística insana que torna o caos vivível.
Choramos no banheiro, bebemos o café frio,
Mas voltamos à batalha sem causar desvio.
Porque há um amor ali, maior que o cansaço,
Que cura o mundo inteiro em um único abraço.
Para cada perrengue, para cada aflição,
Há uma chama acesa em seu vasto coração.
Mãe é sinônimo de "eu dou conta", mesmo na dor,
E transforma o susto em um gesto de puro amor.
Agora ele dorme, respira em paz, seguro...
E a mãe-guardiã segue forte, olhando para o futuro.
Harumi Kawakubo


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