Depois de tudo isso, reaprendemos a viver!
E como ficou a vida do Ryü depois disso?
Bem... posso dizer que não mudou tanto... e ao mesmo tempo mudou muito!
É engraçado, mas essa é a melhor definição!
Não mudou tanto... pelo menos agora... porque ele não é proibido de comer NADA!
E porque mudou muito... porque tudo é levado com mais atenção!
Isso mesmo! Não nego nada para ele!
Já neguei muito... já controlei tanto... e... não deu em nada!
Então, se vamos em algum lugar que tem comida, como supermercado ou shopping, e ele quer comer algo... desde que eu tenha dinheiro para comprar... ele come!
Lógico, tenho meus cuidados... pesquiso a quantidade de carboidratos do que ele for comer... calculo a insulina... e sim... se estou com ele e eu sei que no lugar vai ter comida, eu carrego a insulina.
Então ele escolhe o que quer comer, eu calculo os carboidratos, aplico a insulina, ele espera os 15 minutos e pode comer o que tem desejo de comer.
Não importa o que seja... chocolate... sorvete... salgadinho... eu dou!
Em casa nossa alimentação não mudou quase nada...
Já comíamos arroz integral...
Comemos pão de forma integral por um tempo, mas não foi por conta do diabetes e sim por causa do triglicérides de todos que estava alto. Todos estão com o triglicérides no controle, então voltamos a comer pão de forma 'normal'.
Adoçante sempre foi algo normal em casa, meus Pais são pré-diabéticos... minha Avó era diabética... é um item básico das compras mensais... a questão é que eu pesquisei qual seria o mais ideal para ele, já que ele é criança, então ele tem o próprio adoçante(Stévia) enquanto meus Pais tem o deles(Adocyl basicão).
Continuamos a comer pão francês todas as semanas, desde que sobre dinheiro para isso, e ele adora um pãozinho com margarina!
Minha irmã continua a fazer bolo todas as semanas... no começo até usávamos a farinha integral, mas, além de ser bem mais cara, era difícil pegar o ponto, e estragava muito rápido... voltamos para a farinha normal.
Ele continua tomando o suquinho dele... só que agora um pouco mais diluído e com adoçante...
O leitinho dele, que sempre foi desnatado(ou semidesnatado, dependendo do que a gente encontra) continua sendo com chocolate 100% cacau, ele toma isso desde bebê...
Continuamos a comer nossa pizza... beirute... lanche do Mequi... sempre que o dinheiro sobra...
Minha Mãe continua a fazer o macarrão que ele ama de paixão...
Só compramos produtos diets no começo, depois paramos, pois descobri que, além de muito mais caros, com paladar ruim, ainda têm mais carboidratos que os normais!
Quem mudou fui eu!
Eu SEMPRE estou atenta ao que ele come... ele sabe... colocou na boca, eu tenho que saber... não me incomodo que ele coma, mesmo na escola(onde eu não tenho o controle completo), mas preciso saber para poder 'correr atrás do prejuízo'...
Calculo tudo... absolutamente tudo o que ele come... mesmo quando ele não vai usar a insulina(como acontece no lanche da escola, eu peso tudo, mas ele não leva a insulina para aplicar lá), pois eu preciso saber o impacto que terá na hora que ele retornar para casa... conto cada grama... calculo tudo...
Uso 5 app, sendo 4 com frequência...
* IGlicho, que tem a tabela de carboidratos dos alimentos e que também calcula a insulina e faz o controle da insulina restante no corpo.
* Insulina, um diário para registrar tudo o que ele come(inclusive as gramas/ml), o horário, a glicemia do momento e quanto de insulina foi aplicado.
* Calculadora, porque o app faz o calculo, mas quero ter certeza de que está certo! ^-^
* Cronômetro, para calcular os 15 minutos para ele poder comer, e as 2h para acompanhar uma correção de hiperglicemia
* Regra de 3, porque nem sempre o Tico e o Teco querem calcular as equivalência das gramas consumidas
E quando o alimento que eu quero não está no cadastro no IGlicho, corro para o SR Google!^-^
Além disso tenho meu controle manual(que é vendido pela Mi*Ha).
Isso tudo para ajudar a "ver" como o corpo dele está reagindo a cada coisa que ele come, e como está reagindo à insulina... saber quando posso 'abusar' um pouco da insulina porque sei que aquele alimento é mais 'folgado' e engana a insulina, e quando tenho que 'pisar no freio' para não exagerar na dose.
Isso porque, se eu dou pouca insulina, ele com certeza terá uma hiperglicemia, pois o carboidrato ainda ficará lá... dançando no sangue dele... e a glicemia vai ficar no teto... isso faz ele ficar cansado e de muito mal humor!
Se eu der muito, ele sofre uma hipoglicemia, e na pior das hipóteses ele ficará morrendo de fome e com um pouco de moleza... mas o problema é ele apagar por completo se ela abaixar demais.
Então... ela baixa é mil vezes mais perigoso que ela alta!
Não importa onde eu vá... se eu estou com ele SEMPRE tenho açúcar na bolsa!
Como eu disse... a hiper é ruim, mas dá para segurar... mas, se não agir rápido, a hipo pode ser fatal!
Inclusive na mochila da escola dele tem açúcar e ele sabe o que fazer caso sinta os primeiros sinais de hipo...
Meu sono é picadinho... acordo de 3 em 3 horas para verificar a glicemia dele... corrigir se for necessário... aí vocês perguntam... mas e os sensores?
Ele não se adaptou! Não gostou nada! Disse que prefere furar o dedo! Não vou questionar! É o corpo dele... se ele se sente melhor dessa forma, não sou eu que vou obrigá-lo. Se mais para frente, quando for maior, quiser usar o sensor, corro atrás!
Agora, só quero que ele saiba que a diabetes não foi o fim da vida dele... foi uma virgula... e que ele tem muito o que viver!
Harumi Kawakubo
