segunda-feira, 29 de junho de 2026

A palavra mais doce...




Porque, quem é Mãe... também é filha...

MÃE...

São três letras apenas,
As desse nome bendito:
Três letrinhas, nada mais...
E nelas cabe o infinito
E palavra tão pequena - confessam mesmo os ateus -
És do tamanho do céu
E apenas menor do que Deus!
(Mario Quintana")



Harumi Kawakubo

segunda-feira, 22 de junho de 2026

A vida em gotas!



Eu falei muito sobre insulina... mas vocês sabiam que não existe apenas um tipo de insulina e que insulina não é tudo igual?
Vou explicar só um pouquinho do que eu sei...

As insulinas são classificadas principalmente pela velocidade com que começam a agir e pelo tempo que permanecem fazendo efeito no corpo.
Existem basicamente dois tipos de insulina, e elas funcionam como "ferramentas de precisão": umas servem para cobrir as refeições e outras para manter o corpo estável ao longo do dia.

Primeiro vou falar das insulinas de Bolus.
Elas são aplicadas antes das refeições, mas também são usadas para corrigir crises de hiperglicemia.
* Ultrarrápidas ou Análogas de Ação Rápida, que começam a agir de 5 a 15 minutos depois que você aplica. Alguns exemplos são Lispro, Aspart e Glulisina. 
* Rápida ou Insulina Regular, que começa a agir em 30 a 60 minutos após a aplicação. São as primeiras insulinas que se tem contato assim que se descobre a diabetes e são distribuídas de forma gratuita pelo SUS.

Também tem as que servem para ajudar o 'motor a funcionar', mantendo tudo em ordem durante o dia, que são chamadas de Insulina Basal.
* Intermediária ou NPH, que começa a agir em 1 a 3 horas após a aplicação e costuma dura de 12 a 18 horas. Isso depende da reação e resposta de cada paciente, então ela pode ser aplicada de 1 a 2 vezes por dia. Mas em algumas situações(como aconteceu com o Ryü no começo) até 3 vezes por dia. São fornecidas pelo SUS.
* Longa e Ultralonga duração, que começam a agir de 1 a 2 horas após aplicação e podem durar de 24 a 42 horas. São as mais 'recentes', e mais seguras pois o risco de hipo de madrugada é bem menor. Podem manter o nível de açúcar constante por um longo período com apenas uma aplicação diária. O exemplo delas são Glargina, Detemir e Degludeca. 

O Ryü saiu da Santa Casa usando NPH e Regular, ficou com elas por pouco mais de 6 meses... pois o SUS não aceita mudança de tipo de insulina com intervalo inferior a 6 meses.
Depois ele mudou a Bolus dele para Aspart, para a alegria dele... era um problema ter que esperar 30 minutos para poder comer... mas usou por pouco mais de 2 meses, pois logo depois o SUS mudou a Aspart para a Lispro, que é a que ele usa atualmente.
Como Basal ele usa a Glargina, e ele tem uma resposta muito boa à ela.

Como eu disse... elas são as amigas inseparáveis dele... e serão para o resto da vida dele...
Isso foi o que eu ensinei para ele, logo após ele ter saído do hospital...

Insulina é VIDA!

Harumi Kawakubo

segunda-feira, 15 de junho de 2026

Vivendo a vida de forma mais doce!



Depois de tudo isso, reaprendemos a viver!
E como ficou a vida do Ryü depois disso?

Bem... posso dizer que não mudou tanto... e ao mesmo tempo mudou muito!
É engraçado, mas essa é a melhor definição!

Não mudou tanto... pelo menos agora... porque ele não é proibido de comer NADA!
E porque mudou muito... porque tudo é levado com mais atenção!

Isso mesmo! Não nego nada para ele!
Já neguei muito... já controlei tanto... e... não deu em nada!
Então, se vamos em algum lugar que tem comida, como supermercado ou shopping, e ele quer comer algo... desde que eu tenha dinheiro para comprar... ele come!
Lógico, tenho meus cuidados... pesquiso a quantidade de carboidratos do que ele for comer... calculo a insulina... e sim... se estou com ele e eu sei que no lugar vai ter comida, eu carrego a insulina.
Então ele escolhe o que quer comer, eu calculo os carboidratos, aplico a insulina, ele espera os 15 minutos e pode comer o que tem desejo de comer.
Não importa o que seja... chocolate... sorvete... salgadinho... eu dou!

Em casa nossa alimentação não mudou quase nada...
Já comíamos arroz integral...
Comemos pão de forma integral por um tempo, mas não foi por conta do diabetes e sim por causa do triglicérides de todos que estava alto. Todos estão com o triglicérides no controle, então voltamos a comer pão de forma 'normal'.
Adoçante sempre foi algo normal em casa, meus Pais são pré-diabéticos... minha Avó era diabética... é um item básico das compras mensais... a questão é que eu pesquisei qual seria o mais ideal para ele, já que ele é criança, então ele tem o próprio adoçante(Stévia) enquanto meus Pais tem o deles(Adocyl basicão).
Continuamos a comer pão francês todas as semanas, desde que sobre dinheiro para isso, e ele adora um pãozinho com margarina!
Minha irmã continua a fazer bolo todas as semanas... no começo até usávamos a farinha integral, mas, além de ser bem mais cara, era difícil pegar o ponto, e  estragava muito rápido... voltamos para a farinha normal.
Ele continua tomando o suquinho dele... só que agora um pouco mais diluído e com adoçante...
O leitinho dele, que sempre foi desnatado(ou semidesnatado, dependendo do que a gente encontra) continua sendo com chocolate 100% cacau, ele toma isso desde bebê...
Continuamos a comer nossa pizza... beirute... lanche do Mequi... sempre que o dinheiro sobra...
Minha Mãe continua a fazer o macarrão que ele ama de paixão...
Só compramos produtos diets no começo, depois paramos, pois descobri que, além de muito mais caros, com paladar ruim, ainda têm mais carboidratos que os normais!

Quem mudou fui eu!
Eu SEMPRE estou atenta ao que ele come... ele sabe... colocou na boca, eu tenho que saber... não me incomodo que ele coma, mesmo na escola(onde eu não tenho o controle completo), mas preciso saber para poder 'correr atrás do prejuízo'...
Calculo tudo... absolutamente tudo o que ele come... mesmo quando ele não vai usar a insulina(como acontece no lanche da escola, eu peso tudo, mas ele não leva a insulina para aplicar lá), pois eu preciso saber o impacto que terá na hora que ele retornar para casa... conto cada grama... calculo tudo...
Uso 5 app, sendo 4 com frequência...
* IGlicho, que tem a tabela de carboidratos dos alimentos e que também calcula a insulina e faz o controle da insulina restante no corpo.
* Insulina, um diário para registrar tudo o que ele come(inclusive as gramas/ml), o horário, a glicemia do momento e quanto de insulina foi aplicado.
* Calculadora, porque o app faz o calculo, mas quero ter certeza de que está certo! ^-^
* Cronômetro, para calcular os 15 minutos para ele poder comer, e as 2h para acompanhar uma correção de hiperglicemia
* Regra de 3, porque nem sempre o Tico e o Teco querem calcular as equivalência das gramas consumidas
E quando o alimento que eu quero não está no cadastro no IGlicho, corro para o SR Google!^-^
Além disso tenho meu controle manual(que é vendido pela Mi*Ha).
Isso tudo para ajudar a "ver" como o corpo dele está reagindo a cada coisa que ele come, e como está reagindo à insulina... saber quando posso 'abusar' um pouco da insulina porque sei que aquele alimento é mais 'folgado' e engana a insulina, e quando tenho que 'pisar no freio' para não exagerar na dose.

Isso porque, se eu dou pouca insulina, ele com certeza terá uma hiperglicemia, pois o carboidrato ainda ficará lá... dançando no sangue dele... e a glicemia vai ficar no teto... isso faz ele ficar cansado e de muito mal humor!
Se eu der muito, ele sofre uma hipoglicemia, e na pior das hipóteses ele ficará morrendo de fome e com um pouco de moleza... mas o problema é ele apagar por completo se ela abaixar demais.
Então... ela baixa é mil vezes mais perigoso que ela alta!

Não importa onde eu vá... se eu estou com ele SEMPRE tenho açúcar na bolsa!
Como eu disse... a hiper é ruim, mas dá para segurar... mas, se não agir rápido, a hipo pode ser fatal!
Inclusive na mochila da escola dele tem açúcar e ele sabe o que fazer caso sinta os primeiros sinais de hipo...

Meu sono é picadinho... acordo de 3 em 3 horas para verificar a glicemia dele... corrigir se for necessário... aí vocês perguntam... mas e os sensores?
Ele não se adaptou! Não gostou nada! Disse que prefere furar o dedo! Não vou questionar! É o corpo dele... se ele se sente melhor dessa forma, não sou eu que vou obrigá-lo. Se mais para frente, quando for maior, quiser usar o sensor, corro atrás!

Agora, só quero que ele saiba que a diabetes não foi o fim da vida dele... foi uma virgula... e que ele tem muito o que viver!

Harumi Kawakubo

segunda-feira, 8 de junho de 2026

Doce ou Veneno?


Lembra que eu falei que o médico disse que o Ryü teve uma cetoacidose diabética?
Pois bem... durante alguns dias na internação da UPA eu simplesmente não lembrava o nome da doença... e com certa lógica...
Minha única preocupação naquele momento era salvar a vida do meu filho... lembrar um nome complicado, que eu nem tinha entendido, não estava em foco!

Mas uns dias depois, quando já estávamos no quarto, eu notei que tinha um papel colado no pé da cama dele, e fui ler.
Além do nome e da idade dele, estava escrito em letras garrafais: "CETOACIDOSE".
Aí, com mais calma, fui pesquisar o que era!

A cetoacidose diabética é uma emergência médica grave que acontece quando o corpo, por não conseguir usar o açúcar como fonte de energia, começa a queimar gordura de forma rápida e completamente sem controle.
O problema é que essa queima em velocidade extremamente alta de gordura gera resíduos ácidos chamados cetonas, que são, digamos, quase que venenosos, porque se acumulam no sangue e tornam o sangue super ácido, o que pode ser fatal se não tratado rapidamente, porque o sangue fica tão grosso, mas tão grosso, que fica difícil dele 'andar' pelas veias e chegar de forma correta e na quantidade exata para cada órgão.

É mais ou menos assim... 
* Existe o consumo de carboidrato, que se transforma em açúcar e é jogado no sangue.
* A insulina não está presente... ou está, mas numa quantidade tão inferior ao açúcar do sangue, que ela não dá conta... ela não consegue 'abrir' todas as células necessárias para consumir aquele açúcar todo... e esse açúcar vai ficando no sangue mesmo...
* Mas o corpo tem que continuar a trabalhar, como a energia que seria gerada pelo açúcar das células não chega, já que o açúcar está 'passeando' pelas veias e não sendo transformado em energia pelas células, o corpo entra em 'modo sobrevivência' e começa a queimar tudo quanto é gordura que ele acha na frente para virar combustível.
* O problema é que essa queima é tão absurdamente rápida que gera um 'resíduo' muito perigoso chamado cetona. Essa cetonas 'envenenam' o sangue alteando completamente o seu pH.

E como você pode saber que isso está acontecendo?
Existem alguns sinais super comuns antes da crise 'fatal'. Podem não aparecer todos juntos, mas pelo menos 2 deles, num nível bem visível, já é para deixar alerta e correr para uma emergência.

* Hálito com cheiro doce, como se fosse uma fruta envelhecida ou esmalte de unha.
* Muita sede, que parece que não passa nunca.
* Urina frequente, que é o corpo tendo expulsar o açúcar e as cetonas pela urina.
* Dor abdominal, náuseas ou vômitos, que podem ser confundidos com problemas digestivos.
* As vezes uma respiração forte e profunda, que pode ser confundida com problema respiratório, e é sinal que o corpo está tentando eliminar o ácido através do pulmão.
* Confusão mental e sonolência, que mostra que o cérebro está sendo diretamente afetado pelas cetonas, e seu funcionamento está sendo comprometido.

A cetoacidose é muito mais comum no DM1, em 90% das vezes é assim que a doença é descoberta!
E no meu caso, lógico, não foi diferente!

Eu deveria ter prestado mais atenção nos sinais... é o que eu faço agora... pensando com calma...
* O Ryü estava com uma sede do deserto... eu não achei estranho... estávamos num período extremamente quente e ele sempre gostou bastante de beber água...
* O Ryü começou a fazer muito xixi... mas como ele estava bebendo muita água, não achei isso estranho... na verdade era até lógico... se entrou, tinha que sair! Mas ele começou a deixar escapar de noite também... achei que era porque estava bebendo muita água antes de dormir, e por conta da ansiedade por causa da época(aniversário da Yuriko e dele)...
* O Ryü reclamava esporadicamente de dores no estômago... mas como ele come igual a uma draga, nem respira, achei que fossem gases. Depois que eu dava remédio ele não reclamava mais, achei que não era nada sério, mas estava pronta para pedir um gastro na consulta com a médica dele..
* O Ryü teve um pouco de problema respiratório alguns dias antes de reclamar de dor de ouvido. Mas ele tem alergia, e suas crises sempre deixam ele com o nariz muito tampado fazendo ele respirar de forma profunda... então já estava 'acostumada' com essa situação...
* O Ryü teve alguns problemas de comportamento, principalmente perto do ocorrido, e acredito fielmente que tem ligação... pois não eram atitudes que ele costumava a ter... mas, naquele dia em específico, ele falou coisas muito estranhas... inclusive, quando ele foi almoçar a macarronada que minha Mãe fez, ele disse algo do tipo "e se essa fosse minha última refeição? Eu não quero morrer!"

Como vocês podem ver... tive inúmeros sinais... todos 'escondidos' em outras situações... mas eles estavam lá...
Mas eu nunca tinha ouvido falar em cetoacidose... então... nunca poderia ter imaginado que "tudo aquilo" junto e acontecendo pertinho um do outro, era sinal de que o corpinho do meu Negão estava pedindo socorro!

Sabe, antes da transferência da UPA para a Santa Casa, uma enfermeira disse que ele era um milagre... que os médicos acharam que ele não iria passar daquela noite, de tão grave que era o estado dele. Que ele provavelmente não teria sobrevivido se eu não tivesse levado ele exatamente naquela hora para a emergência, era tão grave que todos tinham a certeza que seria uma questão de horas, mas que fariam o impossível para salvá-lo.

E no final das contas, foi uma dor nas costas que salvou ele! ^-^

Harumi Kawakubo

terça-feira, 2 de junho de 2026

O Diabetes!

Acho de extrema importância as pessoas saberem um pouco sobre diabetes... por que, muitas pessoas... como eu mesma antes de tudo, não sabem nada, ou muito pouco sobre a doença, achando que ela SEMPRE é causada pelo excesso de açúcar e que é só tirar o açúcar que 'fica tudo bem'!

Diabetes Mellitus significa exatamente "Sifão de mel", Diabetes vem do grego "passar através"(referindo-se ao excesso de urina) e Mellitus vem do latim "doce como mel". E porque desse nome? Antigamente(antes de inventarem o hemograma) os médicos diagnosticavam a doença de uma forma bem inusitada... provando a urina dos pacientes!
Se a urina fosse doce, era Diabetes Mellitus, ou seja, o açúcar "passava através" do corpo e saía no xixi!
Diabetes Mellitus(DM) é uma doença crônica caracterizada pela elevação dos níveis de glicose(açúcar) no sangue, causada pela não produção ou produção insuficiente da insulina, hormônio que regula a glicemia(quantidade de açúcar no sangue), ou não consegue usar de forma eficaz o hormônio que produz, e que é responsável por transformar o açúcar em energia para as células.

E quem é o grande "responsável" por isso?
O pâncreas!
O pâncreas funciona como um "sensor biológico" de alta precisão que monitora o sangue 24 horas por dia. Para entender o papel dele no controle da glicose, imagine o pâncreas como o porteiro de uma fábrica.

No pâncreas existem:
* Células Beta: Produzem Insulina, que serve para baixar o açúcar.
* Células Alfa: Produzem Glucagon, que serve para aumentar o açúcar.

E olha como as coisas acontecem:
* Quando você come algo(indiferente do que for), os carboidratos são transformados em glicose, que cai na corrente sanguínea.
* O pâncreas percebe o aumento repentino da glicose no sangue e as células beta liberam a insulina.
* A insulina viaja pelo sangue e se encaixa em receptores nas células(como uma chave em uma fechadura).
* Quando a "fechadura" abre, a glicose sai do sangue e entra na célula para virar energia.
* O excesso de açúcar que a célula não usa na hora é enviado pela insulina para o fígado e músculos, onde fica guardado como glicogênio (energia de reserva).

Mas não é só quando você come que o pâncreas trabalha... o pâncreas também atua quando você está em jejum ou faz exercícios intensos e o açúcar no sangue cai:
* O pâncreas detecta a baixa rápida glicemia e as células alfa liberam o glucagon.
* O glucagon vai até o fígado e diz: "Ei, libere aquela reserva de açúcar que guardamos!".
* O açúcar volta para o sangue, mantendo o cérebro e os órgãos funcionando.

Agora... você acha que diabetes é tudo igual? Pois bem... não é!
Vou falar um pouco de cada um dos tipos existentes:

Diabetes Tipo 1(DM1): É uma doença autoimune onde o sistema imunológico ataca as células do pâncreas, interrompendo a produção de insulina. Não tem uma 'regra', pois não é genética... e não importa quando você descobriu a doença... o tratamento dela SEMPRE é com o uso de insulina, e por isso todo DM1 é chamado de 'insulinodependente'.

Diabetes Tipo 2(DM2): É o tipo mais frequente(cerca de 90% dos casos) e ocorre quando o corpo cria resistência à insulina ou não a produz em quantidade adequada. Está ligado ao estilo de vida, como obesidade, sedentarismo e má alimentação. Geralmente é tratada com medicação oral e apenas em casos extremos é utilizado insulina.

Diabetes Tipo 3: Termo informal usado por cientistas para descrever a Doença de Alzheimer, devido à resistência à insulina que ocorre especificamente no cérebro.

Diabetes Tipo 3c: Refere-se ao diabetes causado por danos físicos diretos ao pâncreas, como pancreatite crônica ou cirurgias.

Diabetes Tipo 4: Surge especificamente em decorrência ao envelhecimento, e está relacionado ao acúmulo de células imunológicas no tecido adiposo devido à idade. Esse acúmulo causa uma inflamação que impede o corpo de usar a insulina corretamente, mesmo em pessoas que são magras e mantêm uma vida saudável.

Diabetes Tipo 5: É a mais recente descoberta é está relacionado à desnutrição, Anteriormente chamado de "diabetes tropical" essa condição foi reclassificada para dar mais visibilidade a pacientes que não se encaixam nos perfis tradicionais. Surge pela privação extrema de alimentos e nutrientes, que prejudica a capacidade do pâncreas de liberar insulina. Afeta principalmente jovens muito magros em regiões de extrema pobreza.

Diabetes Gestacional: Surge durante a gravidez devido a alterações hormonais que bloqueiam a ação da insulina. Geralmente desaparece após o parto, mas aumenta o risco da mãe e do bebê desenvolverem o Tipo 2 futuramente.

LADA(Latent Autoimmune Diabetes in Adults): A Diabetes Latente Autoimune do Adulto é parecida com o Tipo 1, mas se manifesta de forma lenta e sempre em adultos. É frequentemente chamado de "diabetes tipo 1.5" por ser uma condição híbrida: ele possui a causa autoimune do Tipo 1, mas se manifesta de forma lenta e gradual em adultos, lembrando o Tipo 2. Diferente do Tipo 1, onde a destruição das células do pâncreas é rápida, no LADA o sistema imunológico ataca as células produtoras de insulina de forma vagarosa.  É frequentemente confundido com o Diabetes Tipo 2 porque o paciente é adulto e, inicialmente, responde bem a comprimidos e dieta. Quase todos os pacientes com LADA precisarão de insulina dentro de 6 meses a alguns anos após o diagnóstico.

MODY(Maturity-Onset Diabetes of the Young): Um tipo genético muito raro que costuma aparecer antes dos 25 anos, causada por uma mutação em um único gene, sendo classificado como um diabetes monogênico. Diferente dos tipos 1 e 2, que envolvem múltiplos genes e fatores ambientais, o MODY é puramente genético e hereditário, É uma doença autossômica dominante, o que significa que se um dos pais tem a mutação, o filho tem 50% de chance de herdá-la. O diagnóstico exato só é possível através de um exame genético.

Diabetes Secundário: Causado por outras condições, como doenças do pâncreas, uso de medicamentos específicos de forma descontrolada(como corticoides) ou distúrbios hormonais.

Diabetes Insipidus: Embora tenha nome semelhante, não está relacionado ao açúcar no sangue, mas sim a uma deficiência hormonal que afeta a capacidade dos rins de conservar água.

Ainda tem o pré-diabetes, que ocorre quando o pâncreas tem dificuldade de produzir a insulina suficiente para o 'trabalho', mas ainda produz uma quantidade boa, conseguindo manter os níveis glicêmicos perto do normal. Dessa forma, utilizando a medicação de forma correta e mantendo uma alimentação adequada, o paciente consegue se manter dentro dos níveis saudáveis, podendo se considerar "curado"!

O que falha no Diabetes?
No caso do DM1, o sistema imunológico do corpo meio que surta... e acaba destruindo as células beta, e assim o pâncreas continua funcionando nas outras funções normais, porém, perde a capacidade de fabricar insulina, e o açúcar fica "preso" no sangue porque as células não abrem.
Já no DM2, o pâncreas até produz a insulina, mas as células estão com resistência à insulina. O pâncreas tenta trabalhar dobrado para compensar, até que se cansa e começa a falhar.

E o que precisa se entender e aprender sobre a diabetes?

* Diabetes não é causado por comer muito doce! A maioria dos tipos tem causa autoimune ou genética, e mesmo a DM2, se você não tiver uma pré-disposição e uma condição de vida realmente ruim, a probabilidade é que você fique no pré-diabetes, e tomando vergonha na cara, se cuidando, já 'resolve' o problema.
* Quem tem diabetes pode e deve pode comer carboidrato! Carboidratos são energia! O segredo está na qualidade e na quantidade. Cortar 100% pode causar hipoglicemia(que é o nível de glicose muito baixo no sangue, e esse sim é extremamente fatal) e falta de energia.
* DM2 não é um tipo "menos ruim" de diabetes. Diabetes é uma doença, e doença nenhuma é 'menos ruim'! Toda e qualquer doença se não for levada a sério e extremamente controlada vai trazer sérias e graves complicações à saúde.
* Não é só pessoas acima do peso que desenvolvem diabetes! Na realidade a maioria dos tipos de diabetes não tem nada haver com o peso, pessoas magras e ativas também podem ter diabetes devido a fatores genéticos, autoimunes ou pelo próprio envelhecimento das células.
* Usar insulina não significa que você 'falhou' no tratamento, nem vai te deixar 'viciado'. Para um 'insulinodependente', insulina é VIDA! E a quantidade de unidades usadas devem ser sempre calculadas de acordo com a necessidade e sempre sob orientações médicas!
* Não existe cházinho que "cura" a diabetes... então não adianta  seguir a receitinha mágica que a vizinha da prima da amiga da neta da sua tataravó ensinou, que é só misturar baba de quiabo com chá de pata-de-vaca que você cura a diabetes! Diabetes não tem cura, tem cuidado!
* Diabetes não mata! Não faz perder partes do corpo! A falta de cuidado e o descaso é que faz!


Harumi Kawakubo