O dia-a-dia lá era relativamente tranquilo... sem maiores problemas...
Os médicos vinham de vez em quando fazer os exames básicos, perguntar como ele estava e dizer que estavam esperando o retorno de uma consulta com a endocrinologista pediátrica.
O resultado dos exames dele haviam melhorado incrivelmente... ele já não tinha mais nenhum sinal de infecção... mas a glicemia ainda era uma montanha-russa... hora baixa... hora alta... quase nunca normal...
Lá, o Ryü tinha como se distrair... tinha uma brinquedoteca... teve visita de super-herói... até o Zé Gotinha veio falar com ele!
Uma das enfermeiras, mais antiga, estava conversando comigo... e ela me perguntou se eu já sabia 'cuidar' dele... não entendi de primeira, mas ela perguntou se eu já tinha aplicado insulina... feito o Dextro... eu disse que não.
Então ela me disse que, enquanto eu não soubesse fazer tudo isso sozinha... eles não nos dariam alta!
Pra já!
Pedi para ela me orientar e me deixar fazer... e, a partir daquele momento eu mesma fazia tudo.
Dia 25 de Abril...
Uma das médicas super fofas veio falar com a gente... questionei o porque ele ainda estava lá... ele já não tinha mais infecção... os exames estavam ótimos... agora era só controle... eu já sabia cuidar dele... ela perguntou para as enfermeiras que confirmaram que eu já fazia tudo sozinha.
Ela disse que estavam aguardando uma vaga para endocrinologista pediátrico para assumir o caso dele... só que em Santos não tinha uma endocrinologista pediátrica... e eles estavam tentando a consulta com uma especialista de São Paulo... que atendia uma vez por mês em Santos... mas a fila de espera era enorme!
Juro que isso foi desanimador!
Quanto tempo teríamos que ficar internados, esperando uma consulta que não tinha prazo algum de acontecer?
Ela disse que daria um jeito... saiu e voltou meio hora depois com uns papeis. Eram as receitas das medicações e todos os insumos necessários para ele. Disse que, assim que tivesse tudo, era para falar com ela... que ela liberava a alta.
Foi uma correria.
Falei com a minha irmã, na hora da visita expliquei tudo para ela... ela saiu correndo atrás de tudo... foi na UBS, explicou o que tinha acontecido e tudo o que era necessário.
Um enfermeiro da UBS foi um amor de pessoa, mesmo não sendo o responsável pela nossa área de atendimento, entrou em contato direto com a médica da Santa Casa, deu entrada em toda solicitação e liberação do que estava pedido no papel.
Na Santa Casa, teve contação de história... Ryü comeu até pipoca... e eu, andando igual barata tonta de um lado para o outro...
Aí minha Irmã chegou com uma boa parte do que precisava... no caso, só tinha ficado faltando uma das insulinas, que não era dado pela UBS, e sim pela Ambesp, que, naquele horário, não teria com ir buscar, pois seria muito demorado.
Chamamos a enfermeira... vieram umas 3!
É engraçado como todas queriam ver a 'novidade'.
Elas pegaram o material que minha irmã trouxe, leram os manuais, pois nem elas sabiam como a caneta de insulina funcionava... logo depois a médica veio... viu tudo... e entregou o papel da alta.
Disse para aguardar que o enfermeiro viria nos buscar.
Meia hora depois, mais ou menos, estávamos indo embora... de volta para a casa... não sem antes parar na farmácia para comprar a insulina que tinha ficado faltando... é... não queria ficar horas e mais horas na Ambesp esperando... depois de 14 dias de internação... eu só queria voltar para casa!
Harumi Kawakubo
