No último post falei da nossa 'corrida' para dar entrada na Enfermagem Pediátrica da Santa Casa que começou as 18h e terminou depois das 2h da manhã!
No quarto tinha um menininho de uns 4 anos, com um vírus no coração... já estava internado há 3 meses... e um bebezinho, com pneumonia.
Logo que chegamos, duas enfermeiras vieram, dizendo que ele precisaria fazer alguns exames... colocaram na cama uma maleta enorme e começaram a colocar um monte de vidrinhos numa mesinha... gente... era tanto vidrinho de formato e tamanho diferente... fiquei assustada... um dos exames era a tão famosa gasometria!
Falei sobre o problema que ele tinha tido na UPA... e enfermeira se negou a fazer a gasometria na virilha. Disse que faria no pulso, que era só ele ficar quietinho.
Elas foram super gentis com ele, ele ficou conversando, elas fizeram tanto a coleta de sangue como a gasometria, e ele nem reclamou.
Elas avisaram que um enfermeiro viria pegar ele, pois ele teria que fazer um RX(por conta daquela reclamação de dor nas costas que deu início a toda nossa jornada). Uns minutos depois veio um enfermeiro e fomos fazer o exame. Todos foram super gentis. Voltamos para o quarto por volta das 4h... ele apagou de tão cansado.
Agora vou falar de forma resumida dos próximos dias, pois eles foram meio que repetidos e bem mais simples...
Na manhã seguinte, um grupo de estudantes apareceu... e isso acontecia todos os dias de manhã...
Era muito engraçado, pois todos queriam saber quem era o menino da diabetes!
Depois a nutricionista disse que não era comum uma criança dar entrada na enfermaria com diabetes, tanto que eles não tinham nada integral ou diet. Tudo tinha que ser pedido especialmente para ele.
Um dos residentes, Dr. Vinícius Kenji Kurokawa, um japonês muito simpático, ficou responsável pelo caso dele.
Um verdadeiro amor de pessoa. Me esclareceu um monte de dúvidas sobre o estado real dele, e foi o primeiro a falar para mim sobre contagem de carboidratos e a possibilidade mais que real do Ryü ter uma vida super normal.
O Dr Vinícius vinha todo dia bem cedinho, antes dos outros, via os sinais vitais do Ryü, conversava, perguntava com ele tinha passado a noite, anotava todos os dados que eu anotava durante a madrugada e ficava um tempo conversando com ele.
Teve uma vez que uma médica veio com um grupo de alunos para aprender como ouvir o pulmão... o Ryü ficou super feliz de ajudar na aula.
Os residentes ficaram super animados conversando com ele.
Numa outra ocasião uma médica foi ensinar como aplicar insulina... local correto, como posicionar a seringa... e novamente o Ryü ficou encantado de ser a 'cobaia' da aula.
As enfermeiras foram simplesmente maravilhosas... sempre muito cuidadosas... não eram 'melosas' como as da UPA, mas eram prontas para ajudar a qualquer momento.
Harumi Kawakubo
