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terça-feira, 5 de maio de 2026

Se preparando...


O dia-a-dia lá era relativamente tranquilo... sem maiores problemas...
Os médicos vinham de vez em quando fazer os exames básicos, perguntar como ele estava e dizer que estavam esperando o retorno de uma consulta com a endocrinologista pediátrica.
O resultado dos exames dele haviam melhorado incrivelmente... ele já não tinha mais nenhum sinal de infecção... mas a glicemia ainda era uma montanha-russa... hora baixa... hora alta... quase nunca normal...

Lá, o Ryü tinha como se distrair... tinha uma brinquedoteca... teve visita de super-herói... até o Zé Gotinha veio falar com ele!

Uma das enfermeiras, mais antiga, estava conversando comigo... e ela me perguntou se eu já sabia 'cuidar' dele... não entendi de primeira, mas ela perguntou se eu já tinha aplicado insulina... feito o Dextro... eu disse que não.
Então ela me disse que, enquanto eu não soubesse fazer tudo isso sozinha... eles não nos dariam alta!

Pra já!
Pedi para ela me orientar e me deixar fazer... e, a partir daquele momento eu mesma fazia tudo.

Dia 25 de Abril...
Uma das médicas super fofas veio falar com a gente... questionei o porque ele ainda estava lá... ele já não tinha mais infecção... os exames estavam ótimos... agora era só controle... eu já sabia cuidar dele... ela perguntou para as enfermeiras que confirmaram que eu já fazia tudo sozinha.
Ela disse que estavam aguardando uma vaga para endocrinologista pediátrico para assumir o caso dele... só que em Santos não tinha uma endocrinologista pediátrica... e eles estavam tentando a consulta com uma especialista de São Paulo... que atendia uma vez por mês em Santos... mas a fila de espera era enorme!

Juro que isso foi desanimador!

Quanto tempo teríamos que ficar internados, esperando uma consulta que não tinha prazo algum de acontecer?
Ela disse que daria um jeito... saiu e voltou meio hora depois com uns papeis. Eram as receitas das medicações e todos os insumos necessários para ele. Disse que, assim que tivesse tudo, era para falar com ela... que ela liberava a alta.

Foi uma correria.
Falei com a minha irmã, na hora da visita expliquei tudo para ela... ela saiu correndo atrás de tudo... foi na UBS, explicou o que tinha acontecido e tudo o que era necessário.
Um enfermeiro da UBS foi um amor de pessoa, mesmo não sendo o responsável pela nossa área de atendimento, entrou em contato direto com a médica da Santa Casa, deu entrada em toda solicitação e liberação do que estava pedido no papel.

Na Santa Casa, teve contação de história... Ryü comeu até pipoca... e eu, andando igual barata tonta de um lado para o outro...

Aí minha Irmã chegou com uma boa parte do que precisava... no caso, só tinha ficado faltando uma das insulinas, que não era dado pela UBS, e sim pela Ambesp, que, naquele horário, não teria com ir buscar, pois seria muito demorado.
Chamamos a enfermeira... vieram umas 3!
É engraçado como todas queriam ver a 'novidade'.

Elas pegaram o material que minha irmã trouxe, leram os manuais, pois nem elas sabiam como a caneta de insulina funcionava... logo depois a médica veio... viu tudo... e entregou o papel da alta.

Disse para aguardar que o enfermeiro viria nos buscar.

Meia hora depois, mais ou menos, estávamos indo embora... de volta para a casa... não sem antes parar na farmácia para comprar a insulina que tinha ficado faltando... é... não queria ficar horas e mais horas na Ambesp esperando... depois de 14 dias de internação... eu só queria voltar para casa!




Harumi Kawakubo

segunda-feira, 27 de abril de 2026

Cuidados... muitos cuidados...

No último post falei da nossa 'corrida' para dar entrada na Enfermagem Pediátrica da Santa Casa que começou as 18h e terminou depois das 2h da manhã!

No quarto tinha um menininho de uns 4 anos, com um vírus no coração... já estava internado há 3 meses... e um bebezinho, com pneumonia.

Logo que chegamos, duas enfermeiras vieram, dizendo que ele precisaria fazer alguns exames... colocaram na cama uma maleta enorme e começaram a colocar um monte de vidrinhos numa mesinha... gente... era tanto vidrinho de formato e tamanho diferente... fiquei assustada... um dos exames era a tão famosa gasometria!
Falei sobre o problema que ele tinha tido na UPA... e enfermeira se negou a fazer a gasometria na virilha. Disse que faria no pulso, que era só ele ficar quietinho.
Elas foram super gentis com ele, ele ficou conversando, elas fizeram tanto a coleta de sangue como a gasometria, e ele nem reclamou.
Elas avisaram que um enfermeiro viria pegar ele, pois ele teria que fazer um RX(por conta daquela reclamação de dor nas costas que deu início a toda nossa jornada). Uns minutos depois veio um enfermeiro e fomos fazer o exame. Todos foram super gentis. Voltamos para o quarto por volta das 4h... ele apagou de tão cansado.

Agora vou falar de forma resumida dos próximos dias, pois eles foram meio que repetidos e bem mais simples...

Na manhã seguinte, um grupo de estudantes apareceu... e isso acontecia todos os dias de manhã...

Era muito engraçado, pois todos queriam saber quem era o menino da diabetes!

Depois a nutricionista disse que não era comum uma criança dar entrada na enfermaria com diabetes, tanto que eles não tinham nada integral ou diet. Tudo tinha que ser pedido especialmente para ele.

Um dos residentes, Dr. Vinícius Kenji Kurokawa, um japonês muito simpático, ficou responsável pelo caso dele.
Um verdadeiro amor de pessoa. Me esclareceu um monte de dúvidas sobre o estado real dele, e foi o primeiro a falar para mim sobre contagem de carboidratos e a possibilidade mais que real do Ryü ter uma vida super normal.
O Dr Vinícius vinha todo dia bem cedinho, antes dos outros, via os sinais vitais do Ryü, conversava, perguntava com ele tinha passado a noite, anotava todos os dados que eu anotava durante a madrugada e ficava um tempo conversando com ele.

Teve uma vez que uma médica veio com um grupo de alunos para aprender como ouvir o pulmão... o Ryü ficou super feliz de ajudar na aula.
Os residentes ficaram super animados conversando com ele.

Numa outra ocasião uma médica foi ensinar como aplicar insulina... local correto, como posicionar a seringa... e novamente o Ryü ficou encantado de ser a 'cobaia' da aula.

As enfermeiras foram simplesmente maravilhosas... sempre muito cuidadosas... não eram 'melosas' como as da UPA, mas eram prontas para ajudar a qualquer momento.


Harumi Kawakubo

terça-feira, 21 de abril de 2026

Hora da mudança!


Engraçado como o tempo passou que eu nem percebi... parecia que estava há anos naquele quarto... mas tinham passado só 
7 dias...
Só que eram 7 dias numa procura infinita por uma vaga de UTI pediátrica, que não resultava em nada!
Nada de vaga na UTI Pediátrica... e nós lá... esperando...

Não tenho o que reclamar com o pessoal da UPA, muito pelo contrário.
Todos foram incríveis. As enfermeiras eram super atenciosas e carinhosas, em especial a enfermeira Roberta e a enfermeira Sol, que estavam sempre vindo ver como ele estava e conversando com ele, ele ficou apaixonado por elas.
A moça da comida, então, que sempre deixava sobremesa extra e suco extra para ele. Todos mimaram bastante ele... mas queríamos mesmo, era estar em casa!

Aí, depois de 7 dias... um menino deu entrada para internação... não sei exatamente o que ele tinha... mas... 2h depois ele conseguiu vaga!
Não era de UTI, era de enfermaria... mas conseguiu uma vaga!

Ok... preferi não falar nada...

1h depois uma menina deu entrada, devia ter uns 4 anos, pneumonia... 3h depois ela estava sendo transferida!
Novamente... não era UTI, era enfermaria... mas ela foi transferida!

Respirei fundo... pensei que esse seria o sinal de que logo iríamos para casa!

Mas a enfermeira Roberta, que estava de plantão naquele dia, deu um surto na central de vagas... achou um absurdo o que tinha acontecido... nisso, o médico que atendeu o Ryü no dia que ele chegou, veio nos ver, perguntou porque ainda estávamos lá... viu o Ryü... os exames... e disse que iria resolver o problema.
Mudou a prioridade dele de UTI para ENFERMARIA.

3h depois a enfermeira Roberta veio nos dar a notícia... tínhamos uma vaga na Santa Casa e seríamos transferidos em poucas horas.

Nos despedimos das pessoas que nos trataram tão bem, e preparamos tudo para nossa 'mudança'!

Certo... não foi em poucas horas... demorou bastante... o que nos deixou super ansiosos...
Os enfermeiros da ambulância chegaram bem na hora em que eu estava dando a janta para o Ryü.
Mas eles foram super pacientes... falaram que não precisávamos ter pressa, que eles iriam esperar ele acabar de jantar.
Janta devorada, eles foram super legais, conversando o tempo todo com o Ryü, colocaram ele na maca e fomos para a ambulância.

Eu nunca tinha nadado de ambulância... e digo... é bem desconfortável!
O Ryü estava super bem preso, estabilizado. Eu tinha que me segurar e segurar a mochila... o cinto não prendia direito. A ambulância balançava pra caramba...
Pegamos um horário horrível... o trânsito estava péssimo... um congestionamento do cão!
E aí eu vi o quanto as pessoas são estúpidas... a ambulância tocando, e eles não abrem caminho... um carro ainda passou na frente e quase causou um acidente!

Antes, sempre dei prioridade para passagem de qualquer veículo de socorro... nunca sabemos quem está lá dentro e o quão grave é a situação... agora, mais que nunca, a passagem deles é prioridade total!

Chegamos na Santa Casa perto das 20h...
Aí começou a confusão, pois não tinham informação para a entrada dele... ficamos em pé, esperando por mais de 2h... era um diz que me diz... um pergunta que pergunta... e nada era definido.
Uma enfermeira chegou a dizer que iriam mandar ele de volta para a UPA, mas uma outra disse que não, pois tinham que achar o pedido da internação.

Depois de esperar um tempão, colocaram ele numa cama minúscula... praticamente um berço... quando fizeram o Dextro nele, estava mais de 200... e com toda a lógica... o problema é que o plantonista da Enfermaria Pediátrica disse que não iria recebê-lo até que a glicemia dele baixasse...

É... ridículo... ele havia sido transferido para ser cuidado, e quem deveria cuidar dele não queria o 'B.O'...

Ele começou a chorar, pois estava desconfortável, estava cansado, queria dormir... já tinham aplicado insulina 2 vezes e a glicemia não baixava... eu dava água... ele ia no banheiro... colocaram soro... até que uma enfermeira muito boazinha perguntou se ele estava com dor, pois viu que ele estava chorando.
Expliquei que ele estava cansado... que estava desconfortável numa cama que era super pequena para ele... ela colocou ele em outra cama, maior... disse que ficaria ao lado dele... pois bem... eram mais de 2h da manhã... a glicemia baixou... e a Enfermagem aceitou a entrada dele... finalmente!

Harumi Kawakubo